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CETI em destaque na revista Pontos de Vista



O propósito do CETI é tratar os pacientes e resolver os problemas dos casais com infertilidade. Foi esta a frase que deu título a um artigo sobre o CETI publicado na Revista Pontos de Vista. Não deixe de ler este artigo de grande relevância que partilhamos aqui consigo.


A infertilidade é hoje uma doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, tendo uma prevalência que se estima atingir cerca de 15% da população em idade reprodutiva e afetando um número crescente de pessoas no mundo contemporâneo. A escala do problema exige ação concertada por parte das diversas entidades envolvidas na saúde e no apoio social, algo que não está a ser realizado devidamente.


Sobre esta matéria, interessa começar por analisar um cenário, ou seja, usando os últimos dados divulgados pelo Eurostat, Portugal, em 2050, daqui a três décadas, será o país mais envelhecido da União Europeia, sendo que entre as principais causas que justificam esta previsão, está uma quebra histórica das taxas de fecundidade.


Assim, é importante perceber e sensibilizar a sociedade para esta dinâmica, o que significa que é fundamental continuar a colocar na agenda a urgência da efetivação dos apoios necessários para que muitos casais realizem o sonho de constituir família, até porque é essencial que Portugal cresça na sua natalidade, sob pena de sermos um país cada vez mais envelhecido, onde a população ativa não consiga contribuir para as necessidades e desideratos de um país que se pretende desenvolvido.


Neste sentido, a Revista Pontos de Vista quis saber mais sobre o panorama da infertilidade e da fertilidade em Portugal, conhecer os apoios existentes, as dinâmicas e iniciativas criadas, sem esquecer como a inovação e a aposta em tecnologias de vanguarda têm sido fundamentais neste périplo, entre outros assuntos de relevo.


Assim, fomos ao encontro de especialistas neste domínio e estivemos à conversa com João Silva Carvalho, Diretor Clínico do CETI - Centro de Estudo e Tratamento da Infertilidade e Professor da Faculdade de Medicina do Porto (FMUP), e o autor e coordenador do estudo AFRODITE, o primeiro estudo epidemiológico sobre a infertilidade em Portugal, que concluiu que 9% dos casais são inférteis em Portugal, e com Ângela Ribeiro, Diretora do Laboratório de Embriologia do CETI e com Rita Pinheiro Magalhães, Embriologista responsável pela doação de ovócitos.


Hoje o mundo mudou, mas não em todos os pontos e áreas, tendo sido este o ponto de partida desta entrevista, ou seja, será que a infertilidade ainda é um tema tabu na sociedade portuguesa dos dias de hoje? João Silva Carvalho reconhece que esse foi um problema do passado, mas que hoje está razoavelmente ultrapassado. Isto se falarmos nas chamadas zonas urbanas, “porque se formos para as áreas do interior, o panorama muda de figura, pois aí talvez ainda exista maior dificuldade no encarar do problema”, revela, “assumindo portanto que esse receio, nas grandes metrópoles, foi ultrapassado e hoje as pessoas, fruto dos meios de informação e comunicação existentes, procuram soluções, conhecer o problema, pesquisam especialistas e formas de tratamento e auxilio médico, entre outras”, afirma convicto, não sem realçar que o tabu sobre as questões relacionadas com a infertilidade surge numa esfera mais pessoal, familiar e próxima. “Naturalmente que não é o mesmo que dizer que se partiu uma perna ou um pé. Na infertilidade, ainda existem inibições e as pessoas preferem resguardar-se e remeter-se ao silêncio porque, por vezes, continuam a sentir-se diminuídos, principalmente no domínio dos relacionamentos de âmbito social”.


E qual o papel dos especialistas e profissionais médicos no desmistificar desta ideia? O nosso interlocutor não tem dúvidas, e realça que “nós, especialistas, temos também esse dever e esclarecer que as patologias do aparelho reprodutor são iguais às doenças do foro digestivo, cardiovascular ou outras. As pessoas não podem, nem devem assumir uma posição de diminuição ou inferioridade por esse facto”, afirma João Silva Carvalho.


Promover mais diálogo é importante


Como já referimos, existe atualmente um problema demográfico na sociedade lusa, pois a renovação de gerações não se está a fazer aos níveis e aos ritmos adequados e isso terá impacto no futuro, pois a breve prazo, num cenário também europeu, não haverá uma população ativa a produzir o suficiente.


Para João Silva Carvalho, é importante lembrar que “a esperança média de vida aumentou muito e será cada vez maior. Em várias áreas do globo a humanidade, em qualquer período da sua existência, nunca viveu tão bem como hoje, com níveis de qualidade de vida de excelência.


Passamos a atingir níveis de saúde e de longevidade muito positivos e a evolução continuará a ser imprevisível”, afirma o nosso entrevistado, recordando contudo que se esse lado de longevidade e qualidade de vida é positivo, aporta também consigo dificuldades, até porque, a longevidade acarreta um número superior de idosos, o que levará a encargos mais elevados ao nível dos cuidados de saúde, tornando-se ainda mais vital promover e fomentar políticas de natalidade no nosso país.


A questão é, pode a fertilidade contribuir para essa imperiosa renovação de gerações? “Temos de perceber que primeiro é necessário criar uma filosofia e políticas em prol da natalidade, no sentido de ainda virmos a ter, a médio prazo, uma população jovem e ativa e, naturalmente, havendo diálogo entre privados e o Estado, as clínicas de fertilidade poderão também ter um papel importante para essa renovação”, salienta o Diretor Clínico do Centro de Estudo e Tratamento da Infertilidade.


É por isso que o nosso entrevistado, quando questionado sobre a existência ou não de um diálogo recorrente entre as entidades privadas, como por exemplo o CETI e o Estado, relativamente aos tratamentos de infertilidade, não consegue assumir que o mesmo exista de uma forma tão profícua, assumindo que atualmente “em termos de exercício clinico ou de prática assistencial, a articulação entre o Estado e as clínicas privadas não existe.


Temos de compreender que o Estado apresenta deficiências no que concerne ao tratamento da infertilidade, algo que se compreende, porque à luz das políticas de Orçamento para a Saúde, este tem outras prioridades que não propriamente a fertilidade. Com certeza que as doenças graves como os problemas oncológicos, entre outros, assumem uma prioridade superior no âmbito da saúde em Portugal e consigo entender isso”, revela.


Ângela Ribeiro partilha da mesma opinião, assegurando que não existe uma articulação assistencial entre o setor público e as entidades privadas em Portugal, embora reconheça que tem havido um enorme esforço por parte da entidade reguladora, o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida – CNPMA, “em estabelecer metas direcionadas para o público e para os privados, nomeadamente no acesso aos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida – PMA”, completou a Diretora do Laboratório de Embriologia do CETI.


Sendo um órgão da Assembleia da República, o CNPMA, promove uma ou duas reuniões anuais com todos os centros públicos e privados, algo que fomenta e cria uma visão conjunta dos problemas, com um papel muito importante dos pontos de vista regulamentar, ético e normativo. O CNPMA é também essencial nas orientações que fornece para alguns procedimentos e a única fonte nacional informativa credível, porque recolhe todos os dados nacionais da atividade dos centros públicos e privados, esclarece João Silva Carvalho.


“Esforço para tentar cativar dadores para o sistema público e privado”


Mas existirão questões economicistas relacionadas com esta escassez de articulação assistencial entre publico e privado? O nosso entrevistado não tem dúvidas e assume que sim, mas realça que é necessário olhar para o problema de uma forma mais profunda e explica. “As taxas de sucesso dos tratamentos de procriação medicamente assistida declinam muito com o avançar da idade e, por exemplo, nos centros públicos nenhum aceita casais em que o elemento feminino tenha mais de 40 anos de idade, pois sabem que a probabilidade de êxito é demasiado exígua.


Consigo compreender a posição estatal, pois se assim fosse teríamos muitas pessoas a consumir tratamentos de saúde para uma baixa eficácia retirando oportunidade a casais mais jovens e perdendo-se recursos, o que está relacionado com limitações financeiras”, afirma João Silva Carvalho, corroborado por Rita Pinheiro Magalhães, que lembrou que para “o Estado poder realizar protocolos com clínicas privadas, os valores a pagar seriam muito elevados e alguém teria de assumir essa despesa”.


A doação está definida como um ato voluntário e altruísta, apesar de estar prevista, nos termos da regulamentação da lei, uma compensação por essa dádiva, nomeadamente pela perda de horas de trabalho, entre outros incómodos, sendo que isto se aplica a entidades públicas e privadas. Em Portugal existem atualmente três centros públicos que o fazem, a Maternidade Júlio Dinis, no Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, três locais definidos pelo CNPMA para trabalhar com dadores.


Até aqui tudo bem, o grande problema, segundo João Silva Carvalho, passa pela dificuldade no domínio de recrutamento de dadores, “onde estes três centros, por exemplo, revelam dificuldades para captar dadoras, algo que compreendo, porque os médicos possuem uma enorme carga de trabalho e não podem ser eles a realizar esta função, esclarece o nosso interlocutor.


Naturalmente que têm existido iniciativas válidas e positivas para alterar este rumo, tal como conta Ângela Ribeiro, que lembrou o lançamento da Plataforma “Dá Vida à Esperança”, “que teve um grande envolvimento, inclusive dos media portugueses no sentido de promover essa plataforma, e que está a ser gerida essencialmente pela Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução que, mais uma vez, é uma associação cientifica privada. Por isso, tem existido um esforço para tentar cativar dadores para o sistema público e privado”, afirma a Diretora do Laboratório de Embriologia do CETI.


A ligação ao mundo das universidades


Se no plano Estado vs Clínicas privadas o diálogo ainda é escasso, no domínio das universidades o panorama é manifestamente positivo, que o diga o CETI que dá uma enorme relevância às relações com os denominados edifícios do saber, pois mantém um estreito relacionamento com a Faculdade de Medicina do Porto – FMUP, realidade que permitiu, por exemplo, alcançar diversas distinções, entre elas o Grant for Fertility Innovation – GFI, conquistado em 2011, na Suécia, onde estiveram em concurso 12 países e cerca de 40 centros, “e fomos nós, CETI, que ganhamos, numa parceria com a FMUP”, assume João Silva Carvalho, revelando que existe atualmente um entendimento na vertente da investigação com a FMUP, mais concretamente com o Departamento de Biomedicina, através do Prof. Doutor Henrique Almeida, e que permitiu, por exemplo, realizar diversas teses de mestrado e ter em curso três de doutoramento”.


Ângela Ribeiro, lembra que essa ligação e nível de entendimento também se estende à publicação de artigos científicos e na colaboração com centros europeus, dando um caso em concreto. “Temos um centro belga, em que uma das nossas colaboradoras, Ana Catarina Gomes, está envolvida num projeto de investigação que tem o forte apoio da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, na promoção do acesso a tratamentos de procriação medicamente assistida, pela aplicação inovadora de tecnologias mais simples e acessíveis, implementadas em países considerados menos desenvolvidos e que não têm a capacidade e possibilidade de ter um laboratório estruturado segundo os cânones ocidentais”, assevera a nossa entrevistada.


Essa iniciativa denomina-se de «The Walking Egg Project» e neste momento está a ser desenvolvida em diversos países como Bélgica, Inglaterra e China, sendo que em Portugal “decidimos fazer uma pausa no mesmo, até porque a aplicabilidade do método enquanto centro privado que somos, não é de momento possível.” assume por sua vez João Silva Carvalho.


Infertilidade – um “jogo” a dois


Voltando um pouco ao início da nossa conversa, e a todas as questões no domínio dos tabus, questionamos os nossos três entrevistados se hoje em dia a sociedade ainda olha para a questão da infertilidade como um problema somente do foro feminino.


Rita Pinheiro Magalhães, assume que ainda existe alguma dificuldade por parte dos homens em assumir que o problema é seu, lembrando que a doação é sempre um “processo mais complicado nos homens que nas mulheres”, facto corroborado por Ângela Ribeiro, que lembra que a prevalência do fator masculino é bastante elevada e de fácil diagnóstico.


Já João Silva Carvalho decidiu demonstrar esta dinâmica através de números. “Na maior parte das vezes 60% do problema é da mulher e 40% do homem. Mas prefiro dizê-lo de outra forma. 1/3 do problema é feminino, 1/3 é masculino e em 1/3 a causa está em ambos, porque não nos podemos esquecer que existe aqui uma forte componente multifatorial, pois estamos a falar de um «jogo» a dois que estão sempre dependentes um do outro. Esse ponto é fundamental”, esclarece, assegurando que a idade da mulher é o fator fundamental, independentemente dos diagnósticos clínicos, no sucesso das técnicas.


CETI na vanguarda tecnológica


São inúmeros os pontos que marcam a diferença do CETI sendo crucial a capacidade de proximidade e relacionamento com os pacientes, onde cada caso é um caso. Podemos ainda enveredar pelo trilho da inovação e da capacidade que o CETI tem tido no alinhamento da inovação e da aposta em tecnologias de vanguarda no domínio da fertilidade para as colocar ao serviço das pessoas.


Basta ver alguns exemplos concretos, pois o diretor do CETI foi o principal autor do primeiro estudo de prevalência da infertilidade e das suas causas, pelos protocolos e colaborações com a Universidade do Porto com capacidade de investigação que vai realizando e produzindo teses de mestrado e doutoramentos, e pela ligação e colaboração com centros internacionais “procuramos estar sempre na linha da frente na vertente da aplicabilidade da investigação à clinica, ao tratamento dos casais”, salienta o diretor clínico.


“Também há um grande esforço em termos frequentemente um elemento da parte clínica ou laboratorial a participar em congressos e outras reuniões cientificas, permitindo assim um intercâmbio e atualização de conhecimentos, conceitos e medidas”, afirma Ângela Ribeiro.


Quando falamos de inovação, é imperioso falar sobre a tecnologia denominada por time-lapse. Temos de compreender que apesar dos avanços tecnológicos das últimas décadas, o método tradicionalmente utilizado de seleção morfológica de embriões não era suficientemente preditivo para permitir a transferência rotineira de um único embrião. Por isso, surgiram novas ferramentas de triagem, como a tecnologia de time-lapse.


A tecnologia de time-lapse com aplicação à Embriologia Clínica consiste num método de avaliação não invasiva dos embriões, possibilitando ao Embriologista uma seleção mais criteriosa dos melhores embriões a serem transferidos para o útero materno. O sistema time-lapse possibilita a observação contínua dos embriões e, com isso, a tomada de decisões sem necessidade de perturbação da cultura embrionária, o que pode beneficiar a sua seleção, oferecendo uma visão dinâmica e detalhada do desenvolvimento do embrião para melhorar as taxas de sucesso. “Assim, podemos potenciar os resultados e minimizar o “stress” na cultura embrionária”, diz Ângela Ribeiro.


O CETI tem quase duas décadas de vida, sendo um dos centros mais antigos em Portugal, mas que não parou no tempo e procura diariamente melhorar e inovar. Basta ver, por exemplo, a vertente da Vitrificação, em “que começamos a fazê-la numa fase bastante precoce e foi um dos avanços mais importantes que tivemos e que se aplica à congelação de embriões e ovócitos, sendo que na vertente dos ovócitos tínhamos um fator de dificuldade acrescida porque os ovócitos são células de grandes dimensões e muito ricas em água.


Quando era aplicada a chamada congelação lenta, formavam-se cristais de gelo nos ovócitos que destruíam as membranas celulares, inviabilizando a célula. Com as novas técnicas isso não acontece e somos capazes de desidratar o ovócito e proceder a uma congelação rápida e ultrarrápida”, revela João Silva Carvalho, revelando mais um caso de como o CETI está sempre empenhado no domínio da inovação.

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