PERGUNTAS FREQUENTES

Perguntas frequentes

Em Portugal, quem pode recorrer a tratamentos de Procriação Medicamente Assistida?


Segundo o artigo 6º da Lei nº 32/2006 de 26 de Julho, os beneficiários das técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) são:

  1. As pessoas casadas que não se encontrem separadas judicialmente de pessoas e bens ou separadas de facto ou as que, sendo de sexo diferente, vivam em condições análogas às dos cônjuges há pelo menos dois anos podem recorrer a técnicas de PMA.
  2. As técnicas só podem ser utilizadas em benefício de quem tenha, pelo menos, 18 anos de idade e não se encontre interdito ou inabilitado por anomalia.

No que diz respeito a situações em que é necessário recorrer à preservação da fertilidade (criopreservação de gâmetas), como é o caso de doentes oncológicos em idade reprodutiva, recebemos predominantemente indivíduos do sexo masculino.

O motivo é muito simples, talvez devido à maior complexidade biológica do gâmeta feminino, as técnicas de criopreservação de ovócitos ou tecido ovárico ainda não tiveram o mesmo avanço que os métodos disponíveis para criopreservação de espermatozoides.

No entanto, os avanços nos últimos anos levam a crer que em breve estarão disponíveis dados bibliográficos que permitirão aplicar com bastante segurança algumas das técnicas já disponíveis para preservação de fertilidade feminina.

A criopreservação de embriões também é considerada uma solução para casais em que um dos cônjuges sofre de doença oncológica, no entanto, devido a algumas implicações do tratamento, não pode ser aplicada a todos os casos como método de preservação da fertilidade.




De acordo com os dados clínicos do CETI, quais são as causas de infertilidade mais comuns em ambos os sexos?


O registo do ano 2013 revela que a maior percentagem dos casais que procuram o CETI possuem condições que afetam a infertilidade de ambos os sexos.

Seguem-se casais que sofrem de infertilidade devido exclusivamente a fator masculino e nestas situações a causa poderá ser diversa, desde causa genética, causas ambientais (que vão desde hábitos etílicos/tabágicos, poluição, profissões de risco como por exemplo aquelas em que o indivíduo está exposto a temperaturas elevadas) ou situações traumáticas.

Relativamente à causa de infertilidade por fator feminino mais prevalente no CETI trata-se de uma doença chamada Endometriose.




Há uma maior probabilidade de malformações e mutações em bebés resultantes de reprodução assistida?


Um artigo de revisão publicado em Fevereiro de 2014 (Fauser et al., 2014) que confronta a incidência de anomalias genéticas/ epigenéticas e malformações congénitas de crianças nascidas através de técnicas de PMA e aqueles que foram concebidos naturalmente, expõe as seguintes conclusões:

  • As crianças nascidas através de técnicas de PMA possuem menor peso à nascença e gordura periférica, pressão sanguínea e glicemia em jejum superiores quando comparadas com crianças do grupo controlo (concebidas sem recurso a técnicas de PMA);
  • O crescimento, desenvolvimento e função cognitiva são semelhantes nas crianças dos dois grupos;
  • Os dados não são suficientes para se estabelecer uma ligação direta entre a reprodução assistida e as consequências no estado de saúde das crianças concebidas a partir dessas técnicas. No entanto, é importante ter em consideração que as mulheres que recorrem às técnicas de PMA são frequentemente mais velhas, o que aumenta a probabilidade de se obterem gâmetas com mais anomalias, isto poderá criar um viés quando este tipo de análise é realizado.




Qual a incidência de gravidez múltipla após tratamento de Procriação Medicamente Assistida?


Ao longo destes últimos anos de prática clínica, é muito raro a ocorrência de gravidez trigemelar após tratamento de Procriação Medicamente Assistida no CETI. Já a gravidez gemelar é mais comum, embora a grande maioria sejam gestações de feto único.

No entanto, diretrizes da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE - European Society of Human Reproduction and Embryology) são no sentido de, cada vez mais, transferir um número menor de embriões para o útero materno.

Em vários países da UE não é permitido transferir mais do que 1 embrião e em Portugal a decisão de transferir 3 embriões tem de ser devidamente justificada pelo médico que acompanha o casal durante o tratamento.




O CETI fornece algum tipo de acompanhamento psicológico aos casais?


Sim, quando necessário. A consulta de infertilidade do CETI é multidisciplinar e o acompanhamento psicológico poderá ser requerido pelo casal ou indicado clinicamente pelo especialista em infertilidade.




De que maneira, é que o CETI e os seus tratamentos evoluíram ao longo dos seus anos de atividade?


O CETI foi fundado em 1998 e desde então assistiu-se a um avanço considerável na PMA.

Existem sempre melhorias e avanços técnicos numa área que, em si mesma, continua em grande evolução. No CETI existe não só a necessidade, mas também uma grande vontade, de acompanhar os maiores avanços científicos nesta área, para conseguir dar a melhor resposta cientificamente possível ao cada maior número de situações de infertilidade dos casais que nos procuram.

Essa vontade traduz-se na formação contínua de todos os colaboradores, participação assídua em congressos da especialidade e ainda colaboração em alguns projetos de investigação.




O que é a endometriose? Como se deteta? E qual o seu tratamento?


A endometriose consiste na presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Existem vários graus de gravidade e pode afetar vários órgãos, como peritoneu, ovários, bexiga e intestino.

A endometriose é uma doença de diagnóstico clinico baseado na história e no exame ginecológico. Embora de forma limitada pode ajudar a ecografia pélvica e em situações específicas a ressonância magnética ou a laparoscopia diagnóstica.

O tratamento da endometriose pode ser médico (com medicamentos) ou cirúrgico (por cirurgia minimamente invasiva laparoscópica) que é a principal forma de tratamento desta doença ou, ainda, através das técnicas de Procriação Medicamente Assistida.




De que forma a idade influencia a fertilidade de cada um dos elementos do casal? Em que medida a idade afeta a infertilidade?


À medida que a idade avança, o número de ovócitos diminui bem como a sua qualidade, o que vai condicionar uma menor fertilidade e uma probabilidade maior de anomalias cromossómicas, que se acentua a partir dos 35 anos.

A idade avançada no homem não se associa necessariamente a uma diminuição dos espermatozoides, mas a partir dos 45 anos pode ocorrer uma diminuição da fertilidade por alterações no material genético dos espermatozoides.




Como posso aumentar a minha fertilidade?


A fertilidade pode ser aumentada, adotando estilos de vida saudáveis como não fumar, não abusar de bebidas alcoólicas ou drogas, ou preservada, criopreservando os óvulos antes dos 35 anos.

O ideal será a mulher não adiar muito o projeto de maternidade.




O que são ovários policísticos?


Os ovários policiticos são uma disfunção hormonal e ovulatória em que ecograficamente detetamos ovários globosos com muitos folículos (> 10) à periferia do estroma.

Pode estar associado alteração do ciclo menstrual ou sinais de excesso de andrógeneos (acne, excesso de pelo) ou determinadas alterações analíticas hormonais.

Neste caso, falamos de síndrome do ovário poliquístico, no qual pode ocorrer uma perturbação da ovulação, que necessita de tratamento médico ou cirúrgico para aumentar a probabilidade de gravidez.




Como tem evoluído o sucesso das técnicas de Procriação Medicamente Assistida?


As técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) surgiram nos anos 70 e, desde então, têm evoluído significativamente. Sendo que, em 1992, surgiu a técnica de Micro-injecção Intracitoplasmática de Espermatozoide, por forma a dar resposta a casos de infertilidade masculinas muito grave.

Nos últimos 10 anos, as taxas de sucesso estabilizaram. Atualmente atingimos taxas de sucesso entre os 30 a 60%, dependendo do fator de infertilidade associado ao casal.

São fatores que contribuem para essa estabilização a:

  • Otimização dos meios de cultura;
  • Preservação da fertilidade, através da criopreservação de gâmetas;
  • Vitrificação dos embriões.

Nos últimos anos, também se tem assistido a um desenvolvimento nas tecnologias utilizadas nesta área, tais como diversos sistemas de vídeo e monitorização do desenvolvimento de gâmetas e embriões, por forma a auxiliar na seleção do melhor embrião a ser transferido para o útero materno.




Como é realizada a seleção de potenciais doadoras de ovócitos?


As potenciais doadoras, sabendo que no CETI se realiza tratamentos de PMA com doação de ovócitos, dirigem-se voluntariamente ao CETI manifestando a sua vontade em doar ovócitos.

Nesse seguimento é agendado uma consulta para se aferir se a candidata cumpre os critérios de elegibilidade no CETI. São requisitos base de elegibilidade:

  • Ter entre 18 a 35 anos;
  • Não ter doado ovócitos mais de 3 vezes;
  • Caso já tenha doado, ter sido há mais de seis meses.

Nessa consulta, elabora-se o seu historial clínico, realiza-se um exame ginecológico e uma ecografia transvaginal, por forma a despistar a existência de alguma patologia.

É, também, efetuada uma colheita de sangue com fim à pesquisa de eventuais infeções e de um estudo cromossómico.

Assim, após a realização deste estudo e obtenção de resultados normais, a candidata será considerada elegível como doadora de ovócitos no CETI.




Qual o património genético e biológico que a criança, proveniente de um tratamento com doação de ovócitos, recebe da recetora?


O património genético que uma criança, resultante de um ciclo com doação de ovócitos, recebe é o património genético da doadora.

No entanto, todas as trocas que se fazem entre uma grávida e um embrião e feto, que se desenvolve e implanta no seu útero, são também muito importantes e fundamentais.





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